Trump agora quer a Groenlândia, a relação de Toffoli com Daniel Vorcaro, Ibov na máxima histórica e mais
Resumo da Semana, as principais manchetes de política, economia e do mercado financeiro para você precisa saber para começar a semana sempre atualizado(a)!
Principais manchetes para começar o ano atualizado(a)!
😬 Caso Master: conexões entre Toffoli e Daniel Vorcaro
🚨 Terras raras: Brasil entra no radar estratégico dos EUA
👤 Trump ameaça “pegar” a Groenlândia e União Europeia reage
📈 Ibovespa renova máxima histórica
📊 CVC (CVCB3) despenca após troca de CEO
Caso Master: conexões entre Toffoli e Daniel Vorcaro
O caso do Banco Master ganhou um novo capítulo nos últimos dias, após a revelação de vínculos comerciais indiretos entre familiares do presidente do banco e parentes do ministro do STF Dias Toffoli, justamente o responsável por conduzir decisões relevantes no processo.
As informações levantam questionamentos sobre conflito de interesses e reforçam a pressão institucional em torno da atuação do Judiciário no caso.
🤔 O que veio à tona?
Segundo apuração da CNN Brasil, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (presidente do Banco Master), foi o único cotista de um fundo que investiu cerca de R$ 20 milhões no fundo Arleen.
Esse fundo, por sua vez, adquiriu participação na Tayayá Administração e Investimento, empresa proprietária de um resort no interior do Paraná que pertencia a primos em primeiro e segundo grau de Dias Toffoli.
📌 Na prática, isso criou uma ligação financeira indireta entre familiares do banqueiro investigado e parentes do ministro responsável por decisões sensíveis no caso.
A transação teria ocorrido em 2020. Apenas no ano passado, os primos do ministro teriam vendido sua participação no resort para um único proprietário.
⚖️ Por que isso é sensível?
O caso ganha peso porque a atuação de Toffoli nas investigações do Banco Master já vinha sendo questionada por analistas e operadores do mercado.
Entre as decisões consideradas atípicas estão:
retirada do processo da primeira instância
decretação de sigilo absoluto
determinação de acareações envolvendo o Banco Central e investigados
escolha direta dos peritos responsáveis pelo caso
Esse conjunto de ações, somado às conexões familiares agora reveladas, amplia o debate sobre governança institucional, independência e segurança jurídica.
💰 Ainda no tema, FGC início dos pagamentos aos investidores
Enquanto o debate jurídico avança, o foco prático para investidores está no Fundo Garantidor de Créditos. Até o momento, sabe-se que 800 mil investidores têm direito ao reembolso, mas apenas 369 mil já solicitaram a garantia, dentre esses 150 mil pedidos já foram concluídos e encaminhados para pagamento.
O FGC informou que os pagamentos começam na segunda-feira (19).
Após a solicitação, os recursos devem ser creditados em até 2 dias úteis.
🔐 A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, válida para produtos como CDB, LCI, LCA, RDB, poupança e conta corrente.
Terras raras: Brasil entra no radar estratégico dos EUA
Com tensões crescentes entre Estados Unidos e China, Washington passou a buscar fornecedores alternativos de terras raras, e o Brasil aparece como um dos principais candidatos.
Conversas preliminares entre os dois países já estão em andamento e envolvem não só mineração, mas financiamento, tecnologia e refino.
🤔 Por que terras raras são tão importantes?
Terras raras são um grupo de 17 elementos metálicos essenciais para tecnologias de alto valor agregado. Elas estão presentes em:
veículos elétricos;
turbinas eólicas;
eletrônicos e smartphones;
equipamentos médicos;
sistemas militares e de defesa.
Hoje, a China controla cerca de 60% da extração mundial e mais de 90% da capacidade de refino.
🇧🇷 O trunfo brasileiro
O Brasil concentra cerca de 23% das reservas globais de terras raras, a segunda maior do mundo, atrás apenas da China. Mas, ainda exploramos pouco o nosso potencial, atualmente apenas uma mina está em operação (Serra Verde, em Goiás), reflexo de entraves como burocracia, licenciamento lento e falta de capital.
Isso transforma o país em um ativo estratégico: reservas existem, mas precisam de dinheiro, tecnologia e escala industrial.
💰 O interesse dos EUA
Dado o cenário, o Brasil se torna uma excelente alternativa para os EUA que buscam diminuir a sua dependência chinesa.
Washington já atua como financiador direto de projetos no Brasil, usando bancos públicos de fomento. Um exemplo é o apoio à mina Serra Verde, que recebeu financiamento relevante e tem contratos antigos de venda para a China prestes a expirar, abrindo espaço para redirecionamento da produção ao Ocidente.
No campo tecnológico, o destaque é a mineradora canadense Aclara Resources, que desenvolve o Projeto Carina, em Goiás. A empresa firmou um acordo com um laboratório do Departamento de Energia dos EUA para aplicar inteligência artificial no processo de separação de terras raras pesadas.
📌 Na prática, a IA cria uma “planta virtual” que permite: simular cenários operacionais, antecipar falhas, aumentar taxas de recuperação e reduzir custos e riscos técnicos.
Isso é crucial porque o refino de terras raras envolve processos químicos altamente sensíveis, onde pequenos erros geram grandes perdas financeiras.
A produção inicial ocorre no Brasil em forma intermediária. O refino final será feito nos EUA, fechando uma cadeia fora do controle chinês. O início das operações está previsto para 2028, com vida útil estimada em 18 anos.
🎯 O que isso significa para o investidor?
O avanço das terras raras coloca o Brasil no centro de uma cadeia estratégica global. Na prática, isso pode significar:
maior entrada de capital estrangeiro;
valorização de projetos de mineração e tecnologia;
impacto estrutural em setores ligados à transição energética, indústria e defesa.
Trump ameaça “pegar” a Groenlândia e União Europeia reage
Após a intervenção americana na Venezuela, Donald Trump voltou a elevar o tom no tabuleiro geopolítico. Desta vez, o alvo foi a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
Trump afirmou publicamente que os EUA “precisam da Groenlândia para a defesa nacional” e reforçou a intenção de anexar o território — o que provocou reação imediata da Europa.
🤔 Por que Trump quer a Groenlândia?
A Groenlândia ocupa uma posição estratégica no Ártico, exatamente na rota mais curta entre a Europa e a América do Norte.
Isso a torna peça-chave para:
sistemas de alerta e defesa antimíssil dos EUA;
monitoramento naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido;
contenção da presença militar russa e chinesa no Ártico.
Além disso, a ilha possui riquezas minerais, petróleo e gás, ativos relevantes em um mundo cada vez mais preocupado com segurança energética e cadeias de suprimento.
Apesar disso, Trump afirmou que o interesse não seria “pelos minerais”, mas exclusivamente por segurança nacional, declaração que foi recebida com ceticismo por analistas internacionais.
🇩🇰 Dinamarca e Groenlândia reagem
A resposta foi dura e pública. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que:
“Os EUA não têm o direito de anexar nenhum país. Nem mesmo sob o argumento da segurança internacional.”
Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou as falas como desrespeitosas, especialmente após Trump associar a ilha à Venezuela e a intervenções militares.
💥 A escalada: tarifas como arma política
O conflito saiu do discurso e entrou no campo econômico.
Trump ameaçou impor tarifas crescentes a países europeus que se oponham à anexação da Groenlândia, incluindo Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Noruega.
As tarifas começariam em 10%, subiriam para 25% e permaneceriam nesse patamar até que os EUA fossem autorizados a “comprar” a ilha.
🇪🇺 A resposta europeia veio rápida
Parlamentares e líderes da União Europeia passaram a defender a ativação do Instrumento Anticoerção (ACI) — apelidado de “bazuca comercial”.
📌 Esse instrumento permite à UE:
impor tarifas retaliatórias;
restringir comércio de serviços;
limitar acesso de empresas americanas a licitações públicas;
bloquear investimentos e aquisições no bloco.
O movimento ocorre justamente quando UE e EUA mantêm US$ 1,8 trilhão em comércio anual, o que eleva o risco de um choque comercial transatlântico.
🌐 Rússia observa de perto
O Kremlin afirmou que Trump “entrará para a história mundial” caso os EUA assumam o controle da Groenlândia, sem julgar se isso seria positivo ou negativo.
Moscou também criticou o discurso ocidental que acusa Rússia e China de ameaçar a ilha, classificando a crise como exemplo de dois pesos e duas medidas no cenário internacional.
📌 Como o mercado reagiu as notícias?
Em meio ao caos, o dólar passou a cair globalmente, refletindo maior cautela com ativos dos Estados Unidos.
📉 O Bloomberg Dollar Spot Index recuou 0,1%, enquanto moedas europeias avançaram. O franco suíço se destacou como ativo de proteção, e o euro subiu após tocar o menor nível em quase dois meses.
Analistas apontam aumento do risco político nos EUA e possível rebalanceamento de portfólios para fora do dólar, especialmente na Europa.
Ibovespa renova máxima histórica
O Ibovespa renovou sua máxima histórica na última quarta-feira (14), superando os 165 mil pontos. O principal índice da B3 subiu 1,95%, aos 165.145,98 pontos. Porém, na sexta-feira (16), caiu 0,46%, encerrando aos 164.799,98 pontos. Ainda assim, o desempenho da semana permaneceu positivo, com alta de 0,88%.
🤔 O que destravou o movimento?
A forte alta que levou o índice ao recorde ocorreu pela divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que mostrou queda na aprovação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
📊 Números da pesquisa:
49% de desaprovação
47% de aprovação
Apesar de Lula seguir à frente nos cenários eleitorais, Flávio Bolsonaro avançou de 32% para 38% nas intenções de voto em seis meses.
O mercado leu o movimento como aumento da probabilidade de alternância de poder em 2026, elevando o apetite por risco.
🏦 Blue chips puxam o índice
O fluxo comprador se concentrou nos papéis mais líquidos, como: Vale (VALE3), Petrobras (PETR3 e PETR4), Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4).
Mesmo com o petróleo em queda no exterior, as ações da Petrobras avançaram, reforçando o viés doméstico do movimento.
📉 Por que o índice devolveu parte dos ganhos?
Após o recorde, o mercado entrou em modo de realização de lucros, pressionado por fatores macroeconômicos.
No cenário local, o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central do Brasil, veio acima do esperado. A atividade econômica cresceu 0,7% em novembro, puxada pelo agronegócio.
📌 O dado reduziu as apostas em um corte da Selic já em janeiro e reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo.
CVC (CVCB3) despenca após troca de CEO
As ações da CVC (CVCB3) lideraram a ponta negativa da B3 na última sexta-feira (16), após a companhia anunciar uma mudança no comando executivo.
O papel chegou a cair quase 25% na mínima intradiária e encerrou o pregão em queda de 10,74%, a R$ 2,41, refletindo o aumento da percepção de risco em uma empresa que ainda atravessa um processo de turnaround.
🤔 O que aconteceu?
O conselho de administração decidiu destituir Fabio Martinelli Godinho, CEO desde 2023, que havia sido nomeado para conduzir a reestruturação da companhia.
O novo CEO será Fabio Mader, atual vice-presidente executivo de Produtos e Revenue Management e ex-country manager da CVC na Argentina.
O mandato é interino, válido até a primeira reunião do conselho após a Assembleia Geral Ordinária.
💬 Como o mercado reagiu?
A leitura dos bancos foi cautelosa. Tanto o Citi, quanto o Santander mantiveram uma recomendação neutra, ambos destacaram o alto risco, endividamento elevado e baixo potencial de valorização (inclusive com preço-alvo abaixo da cotação anterior).
A forte queda imediata do papel reflete justamente essa leitura de maior incerteza num caso já fragilizado, tornando o evento, no balanço, negativo para a ação neste momento.





