Nova prisão de Vorcaro, escalada na guerra entre EUA e Irã, petróleo dispara e mais
Resumo da semana (09 de março), fique por dentro de tudo que aconteceu de mais importante na economia, política e mercado financeiro na última semana!
Principais manchetes para começar a semana atualizado(a)!
🔍 Prisão de Daniel Vorcaro amplia escândalo
👤 Irã escolhe filho de Khamenei como novo líder supremo
😬 Escalada no conflito: Irã vs. EUA e Israel
🔍 Efeitos da Guerra no petróleo e na inflação
📊 Brasil ficará com maior fatia da cota de carne no acordo Mercosul–UE
Caso Banco Master: nova prisão de Daniel Vorcaro amplia escândalo
O caso Banco Master ganhou novos desdobramentos na última quarta-feira (4), com a nova prisão de Daniel Vorcaro e de outros envolvidos.
🔍 O que aconteceu?
Na última quarta-feira (04), a Polícia Federal (PF) cumpriu 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, marcando o início da terceira fase da Operação Compliance Zero.
Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, na ocasião ele ficou 11 dias detido e teve celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos. Desde então, estava em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica, enquanto a Polícia Federal analisava os dados apreendidos.
🤔 O que levou a nova prisão?
A prisão preventiva de Vorcaro foi determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, com base em indícios da existência de uma organização criminosa estruturada, capaz de intimidar opositores, interferir em órgãos reguladores e comprometer o andamento das investigações.
A decisão marca também a primeira grande medida tomada por Mendonça no caso, após assumir a relatoria que antes estava sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli.
De acordo com o despacho judicial e com as investigações da Polícia Federal, o grupo investigado operava com uma estrutura complexa voltada a proteger os interesses do Banco Master e obstruir a apuração de possíveis irregularidades.
🔍 Estrutura do esquema investigado
Um dos pontos centrais da decisão menciona a existência de um grupo chamado “A Turma”, que, segundo a investigação, funcionaria como uma espécie de estrutura paralela de monitoramento e pressão.
De acordo com a PF, o grupo teria sido utilizado para:
monitorar opositores do banco
coletar informações sigilosas
intimidar jornalistas, autoridades e outras pessoas consideradas prejudiciais aos interesses da organização
⚠️ Mensagens indicam ameaças de violência
A decisão também menciona trocas de mensagens que indicariam ordens para atos de violência.
Entre os trechos analisados pela investigação aparecem referências a: agressões físicas contra jornalistas, planos para “quebrar todos os dentes” de um jornalista em um assalto forjado e discussões sobre simulação de sequestros.
Para o STF, esse tipo de comunicação reforça a suspeita de que o grupo atuava com métodos de intimidação e coerção.
💵 Relação com servidores do Banco Central
Segundo a investigação, dois servidores de carreira, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam como informantes remunerados de Vorcaro, antecipando passos da fiscalização do BC para que o Master pudesse ocultar o rombo de R$ 12 bilhões.
Em troca, esses servidores teriam recebido pagamentos mensais que poderiam chegar a R$ 1 milhão.
♟Além de Vorcaro, quem eram os principais operadores do esquema?
Fabiano Campos Zettel: responsável por montar a rede de empresas offshore em Jersey e Bahamas para onde foram desviados cerca de R$ 10 bilhões.
Marilson Roseno da Silva: O “Elo Operacional”, fazia ponte com o setor de combustíveis e era o ponto de contato com empresas de fachada ligadas ao PCC para lavagem de dinheiro.
Luiz Phillipi Mourão (O “Sicário”): responsável por inteligência e coerção. Tinha acesso a informações sigilosas e bancos de dados restritos da PF e do FBI, utilizando essas informações para monitoramento e chantagem.
Após ser preso em 4 de março, Mourão tentou suicídio na cela da PF em Belo Horizonte. Ele teve a morte encefálica confirmada em 6 de março.
🏛️ Outras medidas determinadas pelo STF
Além da prisão de Daniel Vorcaro, a decisão judicial determinou uma série de medidas adicionais contra o grupo investigado.
Entre elas:
bloqueio de R$ 22 bilhões em bens e valores ligados aos investigados;
afastamento de servidores do Banco Central, com uso de tornozeleira eletrônica;
suspensão das atividades de cinco empresas associadas ao banqueiro.
💼 Quem aparece nas mensagens?
Clima tenso em Brasília. As mensagens analisadas pela investigação também mencionam diversas figuras da política brasileira, incluindo autoridades do governo e do Congresso.
📌 Encontro com Lula:
Um encontro fora da agenda oficial ocorreu em dezembro de 2024. Vorcaro descreveu a reunião como “ótima” e “muito forte”. Segundo o próprio presidente Lula, o encontro foi organizado por Guido Mantega, e ele orientou o banqueiro a tratar questões do setor diretamente com o Banco Central.
📌 Ministros citados:
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, aparece em relatos ligados ao período em que governou a Bahia, quando foi criado o programa Credcesta, administrado por um banco associado a Vorcaro.
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski teve seu escritório de advocacia contratado pelo Banco Master antes de assumir o cargo no governo.
📌 Guido Mantega:
O ex-ministro da Fazenda é citado como articulador da aproximação entre Vorcaro e autoridades. Ele teria atuado como consultor do Banco Master com remuneração de cerca de R$ 1 milhão por mês, somando aproximadamente R$ 11 milhões. Mantega afirma que sua atuação foi apenas técnica.
📌 Congresso Nacional:
Encontros com Hugo Motta (presidente da Câmara) e Davi Alcolumbre (presidente do Senado). Proximidade com o senador Ciro Nogueira, descrito nas mensagens como “grande amigo”.
📌 Políticos da oposição:
Nikolas Ferreira, que utilizou aeronave da empresa Prime You durante a campanha de 2022
Jair Bolsonaro, cuja campanha recebeu doação de R$ 3 milhões de Fabiano Zettel
Segundo o material, não há provas de envolvimento direto de Bolsonaro no esquema.
Irã escolhe filho de Khamenei como novo líder supremo
O Irã escolheu Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país neste domingo (8). A decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos, órgão formado por 88 clérigos responsável por definir a autoridade máxima da República Islâmica.
A escolha ocorre cerca de uma semana após a morte de Ali Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas e foi morto nos ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
👤 Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho de Ali Khamenei. Motjaba possui influência e mantém relações próximas com duas estruturas centrais de poder no país:
a Guarda Revolucionária Islâmica e a milícia paramilitar Basij.
Duas forças que desempenham papel fundamental na segurança interna e na estrutura militar do Irã.
No Irã, o líder supremo concentra poderes religioso e de Estado. Desde a Revolução de 1979, a Constituição define que o posto fica acima do presidente e do Parlamento na tomada de decisões.
Escalada no conflito: Irã vs. EUA e Israel
Nas últimas 24 horas, o conflito entre o Irã e a coalizão liderada por Estados Unidos e Israel, escalou para a fase mais intensa desde o início das hostilidades em fevereiro.
🤔 O que aconteceu?
A coalizão liderada por EUA e Israel lançou uma nova onda de ataques aéreos e mísseis contra alvos estratégicos dentro do território iraniano.
Em Teerã, depósitos de combustível e refinarias foram atingidos, incluindo a refinaria de Tondgouyan - uma das maiores refinarias do Irã, fornecendo aproximadamente 15% das necessidades energéticas do país.
Em Esfahan, os ataques se concentraram em bases aéreas e centros de comando da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Relatos do Pentágono indicam que aproximadamente 75% da capacidade iraniana de lançamento de mísseis de longo alcance teria sido degradada. Ainda assim, o país mantém um arsenal significativo de drones e mísseis móveis, que continuam sendo disparados a partir de locais dispersos.
🚀 Retaliação regional: o Golfo Pérsico sob ataque
A resposta do Irã veio direcionada a aliados estratégicos dos Estados Unidos na região.
No Bahrein (localizado entre Arábia Saudita e Catar), drones iranianos atingiram uma usina de dessalinização essencial para o abastecimento de água potável, além da refinaria da Bapco Energies, que declarou estado de força maior em suas operações.
Na Arábia Saudita, sistemas de defesa antiaérea interceptaram projéteis sobre o campo petrolífero de Shaybah, mas um míssil atingiu uma área residencial na cidade de Kharj, matando dois civis.
Além disso, bases militares que abrigam tropas americanas no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos foram alvo de ataques coordenados de drones, mantendo forças ocidentais em alerta máximo em todo o chamado “Cinturão do Golfo”.
📣 O impasse diplomático
As Nações Unidas fizeram um apelo urgente por um cessar-fogo para proteger infraestruturas civis e evitar uma escalada maior do conflito.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, rejeitou qualquer mediação internacional enquanto os bombardeios contra o país continuarem.
Efeitos da Guerra no petróleo e na inflação
A escalada da guerra entre Irã e a coalizão liderada por Estados Unidos e Israel começou a gerar efeitos imediatos na economia global. O principal canal de transmissão tem sido o choque no preço da energia, que elevou o petróleo para níveis acima de US$ 100 e reacendeu temores de inflação persistente em diversas economias.
Esse movimento já levou os mercados a revisarem apostas sobre política monetária, com maior expectativa de juros mais altos por mais tempo, especialmente na Europa e em partes da Ásia.
🏦 Bancos centrais voltam a discutir alta de juros
Diante do novo choque energético, os mercados passaram a reprecificar o cenário de juros. Investidores aumentaram as apostas em elevação das taxas por diversos bancos centrais europeus, incluindo:
Banco Central Europeu (BCE)
Banco Nacional Suíço
Riksbank (Suécia)
Há expectativa de que o BCE realize ao menos uma alta até junho ou julho e possivelmente outra até o final do ano.
Alguns bancos centrais asiáticos também começaram a reavaliar planos de cortes de juros, adiando movimentos de flexibilização monetária.
Segundo analistas, a reação ocorre porque autoridades monetárias ainda carregam o trauma da resposta tardia ao choque inflacionário de 2022.
⚖️ O dilema dos bancos centrais
A grande dúvida entre economistas é se o choque atual será temporário ou persistente.
Tradicionalmente, a teoria econômica sugere que bancos centrais devem ignorar choques de oferta temporários, como aumentos pontuais no preço da energia. No entanto, a experiência recente mudou a forma como autoridades monetárias enxergam esse risco.
Se os preços elevados de petróleo e gás persistirem, a inflação pode subir cerca de 1 ponto percentual na zona do euro, segundo estimativas de instituições de pesquisa macroeconômica.
Por isso, mesmo sem decisões imediatas, diversos BCs já passaram a sinalizar maior cautela.
🛢️ Petróleo dispara e mercado entra em “modo escassez”
Nos mercados de commodities, o petróleo foi o ativo que reagiu de forma mais imediata ao conflito.
Nesta segunda-feira (9), os contratos chegaram a atingir:
Brent: US$ 119,50 por barril
WTI: US$ 119,48 por barril
Posteriormente os preços recuaram parcialmente, mas ainda permanecem elevados:
Brent: cerca de US$ 100
WTI: cerca de US$ 98
Desde o início dos ataques em 28 de fevereiro, os preços acumulam forte alta:
Brent: +66%
WTI: +77%
Outro indicador relevante foi a disparada do prêmio entre contratos de curto prazo e longo prazo do Brent, que atingiu recorde histórico de quase US$ 36, um sinal de forte escassez imediata de oferta.
📈 Como os ativos financeiros estão reagindo?
O conflito também aumentou o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais.
Entre os efeitos mais visíveis estão:
aumento da volatilidade em bolsas globais;
valorização de ativos considerados porto seguro;
revisão de expectativas para crescimento econômico.
Energia mais cara tende a reduzir o consumo e pressionar margens de empresas, o que pode afetar o desempenho das bolsas caso o conflito se prolongue.
🇧🇷 Impacto no Brasil: petróleo impulsiona petroleiras
No Brasil, o efeito imediato apareceu nas ações de empresas de petróleo e gás, que lideraram os ganhos na bolsa.
Entre as companhias com alta no pregão estavam:
Petrobras (PETR3; PETR4)
PRIO (PRIO3)
Brava Energia (BRAV3)
PetroRecôncavo (RECV3)
Essas empresas se beneficiam diretamente da alta do petróleo, já que receitas e margens aumentam quando o preço da commodity sobe.
⛽ O dilema da Petrobras e dos combustíveis
Para a Petrobras, o impacto depende principalmente de se haverá repasse do aumento do petróleo para os preços domésticos de combustíveis.
Segundo estimativas de analistas:
cada US$ 10 de alta no petróleo pode gerar US$ 4 a US$ 5 bilhões adicionais de caixa para a empresa caso os preços sejam repassados.
Além disso, os spreads de refino também dispararam, ampliando a rentabilidade do diesel.
Se os repasses não ocorrerem, os ganhos da Petrobras seriam limitados às exportações de petróleo bruto.
Nesse cenário, o benefício cairia para cerca de US$ 2 a US$ 2,5 bilhões adicionais por cada US$ 10 de alta do barril.
Brasil ficará com maior fatia da cota de carne no acordo Mercosul–UE
O Brasil deverá concentrar a maior parcela da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
📊 Como a cota será dividida entre os países do Mercosul
A distribuição acordada entre as entidades do setor segue o peso relativo das exportações de cada país no mercado global de carne bovina.
A divisão ficou definida da seguinte forma:
🇧🇷 Brasil: 42,5%
🇦🇷 Argentina: 29,5%
🇺🇾 Uruguai: 21%
🇵🇾 Paraguai: 7%
Entre as entidades que participaram do entendimento estão organizações representativas do agronegócio e da indústria frigorífica dos quatro países, como ABIEC, CNA e Sociedade Rural Brasileira, além de associações do setor na Argentina, Paraguai e Uruguai.
📦 O que prevê o acordo comercial?
O acordo Mercosul–União Europeia estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina para o bloco sul-americano com tarifa reduzida. Sendo 55 mil toneladas de carne fresca ou refrigerada e 44 mil toneladas de carne congelada.
A tarifa de importação dentro da cota será de 7,5%, abaixo da tarifa normalmente aplicada pela União Europeia para importações fora desse limite.
A implementação não será imediata. O acordo prevê que o volume seja introduzido gradualmente ao longo de seis anos, até atingir o limite total.
📈 Como estão hoje as exportações brasileiras para a UE?
Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que os embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia variam ao longo do ano.
Nos últimos anos, os volumes mensais geralmente ficaram entre 3 mil e 7 mil toneladas, com picos recentes acima desse patamar.
Em valor, as exportações têm oscilado entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões por mês, também com registros recentes acima desse intervalo, refletindo a valorização internacional da proteína bovina.





