Carnaval movimenta R$ 18 milhões, a novela das tarifas de Trump, o desfile pró-Lula e mais
Resumo da Semana, as principais manchetes de política, economia e do mercado financeiro para você precisa saber para começar a semana sempre atualizado(a)!
Principais manchetes para começar o ano atualizado(a)!
🍻 Carnaval injeta R$ 18,6 bilhões na economia
📝 Trump eleva tarifa global para 15%
📉 Colapso de confiança nos EUA acelera rotação global de capital
😬 Desfile pró-Lula gera reação da oposição
🔍 Mulheres do Nordeste e jovens do Sudeste lideram desemprego no 4º tri
Carnaval injeta R$ 18,6 bilhões na economia
O Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 18,6 bilhões no Brasil, segundo o Ministério do Turismo, com base em dados da CNC e da Fecomercio-SP. O valor representa um crescimento de 10% em relação a 2025 e marca o melhor fevereiro desde o início da série histórica, em 2011.
A estimativa é que 65 milhões de pessoas participaram das festividades pelo país, um avanço de 22% na comparação anual.
Só nas cinco principais praças (Rio, São Paulo, Recife, Olinda e Salvador), foram 32 milhões de foliões.
🤔 Onde o dinheiro circulou mais?
São Paulo liderou em público e impacto econômico:
16,5 milhões de pessoas
Mais de R$ 7 bilhões movimentados
O Rio de Janeiro recebeu 8 milhões de foliões, com impacto estimado de R$ 5,7 bilhões e ocupação hoteleira próxima de 98%, praticamente capacidade máxima.
No Nordeste, o polo Recife/Olinda reuniu 7,6 milhões de pessoas, movimentando R$ 3,2 bilhões, com expectativa de alta de 49% no fluxo de turistas internacionais.
Em Salvador, mais de 8 milhões de foliões geraram cerca de R$ 2 bilhões em atividade econômica.
Os números reforçam a força do turismo e do consumo sazonal como vetores relevantes de crescimento no primeiro trimestre.
Trump eleva tarifa global para 15% e aumenta incerteza nos mercados
O presidente Donald Trump elevou a tarifa global de importação de 10% para 15%, com efeito imediato, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar cobranças anteriores impostas pelo governo com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
🤔 O que aconteceu?
Na sexta-feira, a Suprema Corte considerou ilegais tarifas anteriores aplicadas pelo governo Trump sob a IEEPA. Em resposta, o presidente anunciou inicialmente uma alíquota global de 10%.
Menos de 24 horas depois, elevou essa tarifa para 15%, utilizando como base a Seção 122 do Trade Act de 1974, que permite tarifas de até 15% por um período máximo de 150 dias.
O movimento gerou um cenário de rápida mudança nas regras: setores que enfrentavam tarifas de até 50% passaram a 10% e, em seguida, a 15% em questão de dias.
Trump classificou a decisão da Suprema Corte como “profundamente decepcionante” e indicou que continuará utilizando instrumentos legais disponíveis para manter sua agenda comercial.
Especialistas apontam que o Congresso americano pode usar a decisão judicial para tentar limitar novos avanços tarifários.
📉 Impactos econômicos e comerciais
A principal consequência não é apenas o nível da tarifa, mas a imprevisibilidade.
Exportadores enfrentam dificuldade para planejar embarques e contratos. Um produto enviado hoje pode chegar aos EUA em 40 ou 45 dias sob uma alíquota diferente da vigente no momento do embarque.
Esse ambiente tende a:
Inibir exportações;
elevar prêmios de risco;
pressionar cadeias produtivas;
aumentar volatilidade cambial;
afetar decisões de investimento.
Setores industriais, como o de máquinas e equipamentos, que chegou a enfrentar tarifas de 50%, demonstraram alívio com a derrubada judicial, mas continuam preocupados com a instabilidade regulatória.
Para o consumidor americano, tarifas elevadas tendem a pressionar preços internos. Já nos mercados, o episódio reforça a percepção de risco institucional e amplia a volatilidade global.
🇧🇷 Como o Brasil reagiu?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro insistirá no diálogo com os Estados Unidos e demonstrou confiança em alcançar um acordo durante visita prevista ao país no próximo mês.
Segundo Lula, a tarifa global de 15% não afeta diretamente a competitividade brasileira, já que atinge todos os países de forma uniforme. Ainda assim, ele alertou que eventuais tarifas específicas sobre produtos brasileiros poderiam gerar inflação nos EUA, prejudicando o próprio consumidor americano.
O presidente indicou que pretende negociar diretamente com Trump e ressaltou que o Brasil não busca alinhamento preferencial com nenhum bloco, defendendo relações comerciais equilibradas.
Colapso de confiança nos EUA acelera rotação global de capital
A perda de confiança internacional nos Estados Unidos passou a ser apontada por gestores como um dos principais motores da transformação recente dos mercados globais.
O movimento, que alguns especialistas classificam como um processo de “debasement” do dólar, vem provocando uma reorientação estrutural de fluxos financeiros que, por décadas, orbitavam quase exclusivamente ativos americanos.
Não se trata de um ajuste pontual. A leitura dominante é de uma mudança mais profunda na alocação global de capital.
🤔 O que está acontecendo?
O chamado Rotation Trade (saída marginal de capital dos EUA para outras regiões) ganhou força nos últimos meses.
Entre os fatores que explicam essa mudança estão:
Instabilidade institucional e maior imprevisibilidade política nos EUA
Uso mais frequente de instrumentos econômicos como ferramenta geopolítica
Pressões fiscais e dúvidas sobre sustentabilidade de longo prazo
Polarização política e aumento do risco institucional
A recente decisão da Suprema Corte dos EUA envolvendo tarifas reforçou essa percepção de instabilidade, adicionando volatilidade ao ambiente americano.
🌎 Para onde o dinheiro está indo?
A realocação de capital tem favorecido:
Ouro e metais preciosos
Commodities
Ativos reais
Mercados emergentes
Moedas fora do eixo dólar
Mesmo países historicamente alinhados aos EUA vêm aumentando reservas em ouro ou reduzindo dependência do dólar.
💰 América Latina entra no radar global
A América Latina é, até agora, uma das principais beneficiadas desse movimento.
Investidores globais estão entrando em ações da região no ritmo mais rápido em uma década. O índice MSCI EM Latin America já acumula alta superior a 20% em 2026, atingindo máxima de 11 anos, o melhor início de ano desde 1991.
Brasil, México e Colômbia lideram os fluxos. Apenas em janeiro:
O ETF ILF (iShares Latin America 40) recebeu mais de US$ 1 bilhão, recorde histórico
O EWZ (ETF de ações brasileiras) registrou o maior fluxo mensal em mais de 10 anos
O fluxo estrangeiro na B3 somou R$ 26,3 bilhões no mês
Além do fluxo externo, há três vetores internos importantes:
Valuation descontado: a região estava subalocada há anos
Possibilidade de cortes de juros (especialmente no Brasil)
Expectativas políticas: eleições no Brasil e na Colômbia adicionam potencial de mudança de rumo
📈 O que isso significa para o investidor?
Se a tendência for estrutural, os impactos podem incluir:
Maior diversificação geográfica nas carteiras globais
Redução marginal da hegemonia absoluta do dólar
Valorização estrutural de commodities
Fluxos mais consistentes para emergentes
Compressão de prêmio de risco em mercados antes negligenciados
Desfile pró-Lula gera reação da oposição
A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo referências a adversários políticos e pautas defendidas pelo governo.
A apresentação provocou reação imediata de parlamentares da oposição, que classificaram o conteúdo como possível propaganda eleitoral antecipada.
🤔 O que aconteceu?
O enredo fez menções ao ex-presidente Michel Temer e retratou Jair Bolsonaro como “Bozo”, em referência ao personagem de televisão.
A escola também apresentou alas com pautas associadas ao atual governo, como:
Taxação de bilionários, bancos e casas de apostas
Defesa do fim da escala de trabalho 6×1
A oposição questionou o uso de recursos públicos destinados às escolas do Grupo Especial e anunciou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já aliados do governo argumentaram que o Carnaval historicamente aborda temas políticos e que não houve pedido explícito de votos.
O TSE rejeitou tentativas prévias de barrar o enredo, mas alertou para que não houvesse atos que configurassem campanha antecipada.
👥 Presença do presidente
Lula esteve presente na Sapucaí por mais de oito horas, acompanhado de ministros, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outras autoridades.
Ele foi ovacionado pelo público ao aparecer no camarote da Prefeitura do Rio.
Diante de possíveis acusações eleitorais, o Palácio do Planalto restringiu a participação oficial no desfile e vedou o uso de verba pública para custear presenças institucionais.
Mulheres do Nordeste e jovens do Sudeste lideram desemprego no 4º tri
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,1% no 4º trimestre de 2025, segundo a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE. O número representa queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,6%) e mantém o mercado de trabalho próximo das mínimas históricas.
Apesar da melhora no dado agregado, os recortes regionais, por sexo e idade revelam diferenças importantes.
🔎 Desigualdade regional persiste
O Nordeste segue com a maior taxa de desocupação do país: 7,1% no trimestre. Já o Sul apresentou o menor índice, com 3,1%.
Outras regiões:
Norte: 5,8%
Sudeste: 4,8%
Centro-Oeste: 3,9%
👩💼 Mulheres concentram taxas mais altas
No Brasil, a taxa de desemprego foi de:
6,2% entre mulheres
4,2% entre homens
No Nordeste, a diferença é ainda mais acentuada:
Mulheres: 8,8%
Homens: 5,9%
O padrão se repete em todas as regiões, embora com menor intensidade no Sul e Centro-Oeste.
👶 Jovens enfrentam maior dificuldade
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o Sudeste liderou a taxa de desocupação, com 22,8%, acima da média nacional de 19,9% nessa faixa.
Já no grupo de 18 a 24 anos, o Nordeste voltou a liderar, com 16,7%.
O desemprego também foi maior entre pessoas com menor escolaridade:
Ensino médio incompleto: 8,7%
Superior incompleto: 5,6%
Superior completo: 2,7%
📉 O que isso indica para a economia?
O mercado de trabalho segue forte no agregado, mas com bolsões estruturais de fragilidade.
Os dados sugerem uma desigualdade regional persistente, desafios de inserção para jovens e uma maior vulnerabilidade feminina no mercado formal.
Para o investidor, o cenário combina dois sinais importantes:
Mercado de trabalho ainda aquecido, o que sustenta consumo e renda.
Pressão estrutural em segmentos específicos, que pode influenciar políticas públicas, programas sociais e debates trabalhistas ao longo do ano.
Com juros ainda elevados e expectativa de cortes à frente, o comportamento do emprego continuará sendo variável-chave para decisões de política monetária em 2026.





