Banco que queria comprar o Master pede recuperação judicial, Bitcoin em forte queda, Selic em 15% e mais
Resumo da Semana, as principais manchetes de política, economia e do mercado financeiro para você precisa saber para começar a semana sempre atualizado(a)!
Principais manchetes para começar o ano atualizado(a)!
⚠️ Banco que fez proposta para comprar o Master pede recuperação judicial
📊 Banco Central mantém Selic em 15%
😬 Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Irã
📌 Trump indica novo presidente ao Fed
📉 Bitcoin tem pior sequência desde 2019
🔐 MPF pede bloqueio de R$ 1 bi da Vale após vazamento em mina
Banco que fez proposta para comprar o Master pede recuperação judicial
O grupo Fictor, que havia apresentado uma proposta para adquirir o Banco Master em parceria com investidores árabes, entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
📌 O que esta acontecendo?
O Fictor ganhou destaque nacional após anunciar uma proposta de aquisição do Banco Master que previa um aporte de R$ 3 bilhões. Porém, um dia depois, o Master foi liquidado pelo Banco Central e o seu controlador, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal.
Esse anúncio fez com que, posteriormente, a Justiça de São Paulo determinasse o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos do grupo, como garantia mínima exigida em contrato de operação de cartões de crédito da Fictor Pay. A decisão citou risco de dano financeiro relevante e mencionou a retirada de recursos da conta de garantia.
Caso a ordem não seja cumprida, foi fixada multa diária de ao menos R$ 5 milhões.
🔎 O pedido de recuperação
Em nota, a Fictor afirmou que a “contaminação reputacional externa”, reduziu investimentos e aumentou a cautela de parceiros, negando que o problema tenha origem em alavancagem estrutural. A companhia diz ter reforçado controles e ajustado cronogramas, com normalização gradual dos fluxos.
Segundo a empresa, o pedido tem como objetivo assegurar a continuidade das operações e a preservação de empregos, além de permitir uma renegociação estruturada de seus compromissos financeiros.
A Fictor acumula cerca de R$ 4 bilhões em obrigações, e desde dezembro vinha registrando atrasos nos pagamentos a investidores.
Banco Central mantém Selic em 15%
Mesmo com a inflação em desaceleração e o dólar mais comportado, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Copom, na reunião desta quarta-feira (28), e já era amplamente esperada pelo mercado.
Essa é a quinta manutenção consecutiva dos juros básicos, que permanecem nesse nível desde junho de 2025.
📌 O principal sinal do comunicado
O ponto mais relevante não foi a manutenção em si, mas a sinalização clara de que os cortes podem começar já em março, caso o cenário esperado se confirme.
Ainda assim, o Banco Central reforçou que seguirá com uma postura restritiva e cautelosa, garantindo a convergência da inflação à meta.
⚠️ Por que os juros seguem tão altos?
Apesar da melhora visível nos indicadores de inflação, o Banco Central avalia que a economia ainda não oferece conforto suficiente para iniciar cortes imediatos. Os principais motivos sao:
Atividade econômica mais forte do que o esperado
O IBC-Br, considerado a prévia do PIB, avançou 0,7% em novembro, impulsionado principalmente pelo agronegócio.
Esse resultado reforçou a leitura de que a economia segue aquecida, e uma atividade resiliente pode sustentar pressões de demanda, o que dificulta o controle da inflação.
Mercado de trabalho segue pressionando preços
Mesmo com sinais de moderação na atividade, o mercado de trabalho permanece resiliente, com:
Baixo desemprego
Renda real ainda crescendo
Pressão sobre salários em alguns setores
Esse quadro limita a desaceleração dos preços de serviços.
Expectativas de inflação seguem desancoradas
Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor nível anual desde 2018 e dentro do teto da meta contínua, que vai de 1,5% a 4,5%, com centro em 3%. Em 2026, embora o IPCA tenha recuado, as expectativas de inflação seguem acima da meta de 3%
BC projeta a inflação em torno de 3,4% a 3,5%
Mercado (Focus) inflação perto de 4%
No regime de meta contínua, o BC precisa observar a inflação acumulada em 12 meses de forma recorrente, e não apenas um número pontual mais benigno.
Cenário global adiciona risco
Incertezas em torno da política econômica dos Estados Unidos
Risco de juros mais altos por mais tempo pelo Federal Reserve
Tensões geopolíticas e disputas comerciais
Esse contexto exige cautela adicional de países emergentes como o Brasil, sobretudo para evitar volatilidade cambial e reprecificação de ativos.
Política monetária atua com defasagem
O próprio Banco Central reforça que mudanças na Selic levam de 6 a 18 meses para produzir efeito pleno. Logo, cortes prematuros poderiam comprometer o controle inflacionário mais à frente.
Por isso, mesmo com sinais positivos, o BC opta por esperar mais evidências consistentes antes de iniciar o ciclo de flexibilização.
Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Irã
O Irã anunciou neste domingo (1º) a realização de exercícios militares com munição real no Estreito de Ormuz. A mobilização ocorre em um momento de crescente tensão com os Estados Unidos, após novas ameaças do presidente Donald Trump envolvendo um possível ataque militar contra Teerã.
⚠️ Pressão militar de Washington
A movimentação iraniana ocorre após sucessivas declarações do presidente Donald Trump, que voltou a exigir que o Irã aceite negociar um novo acordo nuclear “justo e equitativo”.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que, caso isso não ocorra, “o próximo ataque será muito pior” do que as ações militares dos EUA realizadas no ano anterior contra instalações nucleares iranianas. “O tempo está se esgotando”, escreveu o presidente americano.
Em paralelo, o CENTCOM (Comando Central dos Estados Unidos) confirmou que o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln já chegou ao Oriente Médio e às regiões do Oeste e Centro da Ásia. Segundo Trump, também foram enviados navios de guerra e caças F-35, ampliando a capacidade militar americana na área.
🗣️ Sinais contraditórios sobre negociações
Apesar do clima de confronto, autoridades iranianas indicaram movimentos diplomáticos nos bastidores. No sábado (31), Ali Larijani, alto funcionário de segurança do Irã, afirmou que a construção de uma estrutura para negociações com os Estados Unidos estaria em andamento, ainda que sem detalhes.
Pouco depois, no entanto, uma autoridade iraniana negou à Reuters a realização formal dos exercícios, em meio à pressão americana, evidenciando mensagens desencontradas vindas de Teerã.
🤔 Por que o Estreito de Ormuz é sensível?
O Estreito de Ormuz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, sendo considerado a rota de exportação de petróleo mais vital do mundo. Qualquer instabilidade na região tende a gerar impactos diretos sobre o mercado global de energia.
Trump indica Kevin Warsh ao Fed
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a indicação do economista Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
A nomeação ainda precisa do aval do Senado dos Estados Unidos, mas já movimentou os mercados e reabriu o debate sobre juros e independência do banco central americano.
📌 O pano de fundo da troca:
A indicação ocorre após uma escalada de tensões entre Trump e o Fed.
Mesmo após três cortes no fim de 2025, o banco central americano manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, citando cautela diante de uma inflação que fechou 2025 em 2,7%, acima da meta de 2%.
Trump reagiu publicamente, exigindo cortes imediatos e atacando Powell nas redes sociais.
O ambiente ficou ainda mais sensível quando Powell se tornou alvo de uma investigação relacionada a reformas na sede do Fed, episódio que ele classificou como pressão política. Em resposta, líderes de bancos centrais divulgaram uma nota conjunta em defesa da autonomia das autoridades monetárias, com apoio explícito do Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Central do Brasil e outros.
🤔 Quem é Kevin Warsh?
Veterano de Wall Street, Kevin Warsh, de 55 anos, construiu carreira a área de fusões e aquisições do Morgan Stanley. Em 2006, se tornou membro do Conselho de Governadores do Fed no qual atuou até 2011. Teve papel relevante durante a crise financeira de 2008, sendo elo entre o banco central, Wall Street e o G20.
Warsh também serviu na Casa Branca como assessor econômico do presidente George W. Bush no Conselho Econômico Nacional.
📉 Como o mercado lê a indicação?
A avaliação predominante é de continuidade institucional, apesar do alinhamento político. Investidores veem Warsh como alguém capaz de pressionar por cortes de juros sem romper com a credibilidade do Fed. O histórico na instituição e a experiência em momentos de crise sustentam a expectativa de uma postura pragmática, ainda que sob forte pressão da Casa Branca.
📊 Reação imediata dos mercados
A sinalização de troca no comando do Fed gerou volatilidade global:
Quedas em bolsas da Ásia e futuros de Wall Street
Alta do dólar e dos Treasuries
Recuo em ativos como ouro, prata, petróleo e Bitcoin
Bitcoin tem pior sequência desde 2019
O Bitcoin iniciou fevereiro ainda pressionado após um janeiro de forte liquidação. A criptomoeda caiu mais de 10% no mês, fechando perto de US$ 78,5 mil.
📉 O que explica o movimento?
A queda ocorreu de forma mais acentuada na reta final de janeiro, após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. A leitura foi de um possível viés mais restritivo na política monetária, o que levou o mercado a revisar expectativas sobre juros e liquidez.
Apesar disso, o enfraquecimento do Bitcoin vem sendo associado a uma combinação de fatores, mais do que a um único gatilho específico. O pano de fundo é um ambiente global de menor apetite a risco, marcado por incertezas macroeconômicas e comerciais, o que levou parte do capital a migrar para ativos tradicionais de proteção, como o ouro.
Janeiro marcou o quarto mês consecutivo de queda do Bitcoin, a pior sequência desde 2018, e os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saídas líquidas relevantes. Na prática, isso significa menos dinheiro novo entrando no mercado no curto prazo, o que reduz a sustentação dos preços.
Além disso, condições de mercado amplificaram a volatilidade. Dados citados pela Kaiko indicam que a liquidez disponível permanece cerca de 30% abaixo do pico de outubro, o que aumenta o impacto de ordens maiores e dificulta uma recuperação mais consistente quando o fluxo comprador enfraquece.
🥇 Comparação com o ouro
A queda também frustrou quem esperava que o Bitcoin atuasse como proteção. O ouro chegou a renovar máximas com a busca por segurança e depois corrigiu, mas o Bitcoin não acompanhou a alta e caiu ainda mais durante a realização dos metais. Analistas reforçam que, em momentos de estresse, o capital historicamente migra primeiro para o ouro, enquanto o Bitcoin ainda reage como ativo de risco.
MPF pede bloqueio de R$ 1 bi da Vale (VALE3) após vazamento em mina de MG
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça o bloqueio patrimonial de R$ 1 bilhão da Vale após o extravasamento ocorrido na mina de Fábrica, em Ouro Preto, no estado de Minas Gerais.
O pedido foi confirmado pela própria mineradora em comunicado divulgado na noite de domingo (1º).
🤔 O que está sendo pedido?
Segundo a empresa, o MPF apresentou uma tutela cautelar antecedente, argumentando que a medida busca evitar o agravamento de possíveis danos ambientais relacionados ao incidente.
O bloqueio de recursos é tratado como medida liminar, enquanto o caso segue em análise judicial.
Em resposta a Vale afirmou que apresentará sua defesa dentro do prazo legal, sem detalhar o conteúdo da argumentação que será levada à Justiça.
💸 Multa estadual já foi ampliada
Na sexta-feira anterior, o governo de Minas Gerais elevou para R$ 3,3 milhões a multa aplicada à mineradora pelos danos ambientais decorrentes do extravasamento. O valor considera a reincidência da empresa em ocorrência semelhante registrada em agosto de 2023, no município de Brumadinho.






